Carta denúncia do marido de Cecília R. Mesquita Santos |
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É com imensa dor que eu, ORLIUDO RIBAS GODIM, relato o drama vivido por minha esposa CECÍLIA ROCHA MESQUITA SANTOS, de 23 anos, nascida em 27-1-79 e morta em 20-6-2002, por irresponsabilidade de dois médicos: JOSÉ CARLOS BANDEIRA SOARES DE CAMARGO, ADRIANO FREGONESI e outros. Neste dia, às 18h40 segundo informações do HOSPITAL SANTA ELISA de Jundiaí (SP), Cecília não respondeu mais às drogas e faleceu. Denuncio ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo, os médicos, enfermeiros e o convênio médico particular UNIMED por péssimo atendimento e maus tratos com a então paciente Cecília. Ela tinha plena saúde e morreu deixando indignados muitos amigos, familiares e nosso filhinho Bruno de 10 meses, razão de nossa vida e amor. O ginecologista de Cecília, Dr. Willie Ciesilki, diagnosticou que ela tinha um cálculo renal que lhe causou algumas infecções de urina. Willie indicou um urologista, há menos de um ano, o Dr. Benedito Assis Botene para que ela fizesse os exames necessários. Este médico marcou a segunda consulta e disse que o cálculo renal (pedra) era grande; receitou antibióticos e pediu um pré-operatório com um clínico geral; Cecília sentiu dores no rim e, acompanhada pela mãe Marta, voltou ao Dr. Benedito. A secretaria deste médico disse que ele não atendia de manhã (e como havia marcado consulta, se não atende?). Resolveram passar pelo Hospital Santa Elisa para fazer o pré-operatório, já que tinham convênio (Unimed) com o hospital. Apareceu o proprietário do hospital, José Carlos B. S. Camargo, dizendo-se urologista e alegando que o Benedito não atendeu porque estava em um Congresso. Cecília resolveu ouvir o médico Camargo, que lhe disse que a cirurgia era simples, percutânea daquelas que o paciente entra num dia e sai no outro. Cecília aceitou todas as sugestões, confiou, e marcou cirurgia com Camargo para o dia 28-6-2002. No dia 11-6, a secretária de Camargo ligou dizendo que este antecipou a cirurgia para o dia 14-6 e que Cecília só ficasse em jejum no dia marcado. No dia 13, funcionário da COLSAN ligou para ela dizendo que tinha que conseguir 20 doadores de sangue O negativo. Nós ficamos preocupados. Ligamos para a COLSAN e eles disseram que este tipo de sangue é raro e que também foram avisados em cima da hora. No dia seguinte, 14-6, fomos antes das 10 horas para o convênio Unimed |
para exame de perícia. Às 10 h, fomos para o hospital Santa Elisa. As atendentes disseram que não havia leito e que aguardássemos. Por volta das 13 h, a recepcionista disse que Cecília iria para a maternidade (sem pré-operatório?) até que tivesse vaga na enfermaria (mesmo sendo convênio Unimed). Acompanhei minha mulher até a maternidade e esperamos. Guardei suas roupas, me despedi e disse que no dia seguinte iria buscá-la (que tudo seria simples como o Dr. Camargo falou). Às 16 horas de sábado, 15-6, fomos eu e a mãe de Cecília visitá-la (por que ela não teve alta?). Funcionários disseram que ela estava ainda sob anestesia.. Quase 18 horas, levaram Cecília para a enfermaria e ela ficou com outras duas pacientes, Lourdes e Márcia, que muito a ajudaram e que são testemunhas de tudo que ela sofreu. Cecília gemia de dores na barriga. Falei com enfermeiras (os médicos não estavam ali) que me responderam é assim mesmo...a dor é muito relativo.... Tentei consolar minha mulher e disse que logo passaria aquela dor. Terminou o horário de visitas, nada resolvido, nada de alta; fui embora. Trabalhei aquela noite e, de manhã, fui até o hospital junto com minha sogra. Cecília tinha usado um celular e ligado para a mãe pedindo socorro. Fomos para lá. Entramos, apesar das restrições (não era horário de visitas). As pacientes Lurdes e Márcia disseram que socorreram Cecília e que ela vomitara verde a noite toda. Elas não dormiram e chamaram por médicos e enfermeiros durante a noite mas não apareceu ninguém para socorrer. Pergunto: como alguém pode se recuperar de uma cirurgia num ambiente destes? Fiquei ali ao lado de Cecília. Vendo seu sofrimento, pedi ajuda aos enfermeiros. O curativo vazava sangue. Passou mais de uma hora e não a atenderam. Fui embora cuidar de nosso filho. Voltei no horário de visitas. Cecília disse que demoraram mais quarenta minutos para trocar o curativo ensangüentado. Minha mulher estava mais calma e disse que era o efeito de uma injeção que tirou toda a dor. Ela não comia e não bebia. Cecília pediu para tomar outra injeção daquela que as dores estavam voltando. O enfermeiro Michel disse que só tinha dado a injeção Ubaim porque o médico plantonista assinou autorizando; que é droga forte e causa dependência. Durante uma visita de Camargo, Cecília perguntava: por que a dor forte na barriga se a operação foi no rim esquerdo?... LEIA MAIS |
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Jornalista: GJM (MTb 33060)